28 Julho, 2006

 

Artistas reafirmam luta racial


Artistas negros presentes na Conferência Regional das Américas reforçam o discurso de combate a todas as formas de discriminação por meio da arte. Uma dessas artistas é a cantora Leci Brandão. “Desde o meu primeiro LP eu sempre falei da questão racial. Sempre cantei para todas as chamadas minorias”. A cantora que também é conselheira da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPIRR) diz lamentar por haver muita teoria nas ações de combate ao racismo e diz acreditar que os discursos não estão sendo entendidos pela população menos instruída. “No momento em que todos entenderem o real propósito dessa luta, a sociedade brasileira poderá fazer uma mobilização de vir para Brasília e os políticos poderem aprovar”, declara.
Assim como Leci Brandão, estavam presentes na conferência o ator Antônio Pitanga e a atriz Zezé Mota. O primeiro disse que a real implementação do projeto das cotas depende mais dos negros que dos políticos. “Eu acredito que não dependemos dos brancos e sim da capacidade de gerar ações porque somo maioria”, revela. Já a segunda, declara a necessidade de sempre acontecer ações como a conferência, pois “traz renovação de discursos, mais esperanças, revigora e reforça a luta”.

Militância musical e cidadã

Canções Afirmativas. Este é o título homônimo dos novos CD e DVD da cantora Leci Brandão. Aos 31 anos de carreira, ela explica que este nome foi dado porque percebeu que o termo ações está dentro da palavra canções e como sempre coloca um nome diferente e revelador nos seus álbuns, complementou com a palavra afirmativas, logo, veio a idéia de Canções Afirmativas.
Gravado no último dia 26, no Consulado da Cerveja, em São Paulo, os materiais fonográficos reafirmam a condição de Leci como militante musical na luta contra o racismo desde o início da carreira e trazem novidades como música “Identidade”, “Deixa, deixa” e regravações como “Revolta Olodum”. Em todas as faixas, “Canções Afirmativas” traz ao público mensagens de combate ao racismo, à violência e resgata a história de movimentos populares.
Além disso, apresenta sambistas da velha guarda cantando músicas inéditas e sambistas da nova geração cantando músicas da velha guarda. Mesmo aparentando cansaço físico em detrimento da longa jornada de gravações, Leci Brandão conversou sobre este, que é o primeiro DVD de sua carreira e afirmou a importância do debate sobre desigualdade racial, antes do show “Brasil canta América Negra” em que, juntamente com Sandra de Sá, Zezé Mota, Netinho de Paula e Tony Garrido, cantou exclusivamente para participantes da Conferência Regional das Américas.





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